O Governo Wagner, que vem se notabilizando por não fazer as mesmas obras que também não eram feitas em gestões passadas, abraçou a tese do desenvolvimento do assim chamado “turismo étnico”. Basicamente, negros dos Estados Unidos que viajam à Bahia para acompanhar a Festa da Boa Morte e outras manifestações culturais da negritude brasileira. Se bem que não há notícias de que brasileiros negros assistindo a um show de blues em Saint Louis tenham sido categorizados como turistas étnicos.
Pois, com a anuência dos meios de comunicação, o governo faz publicidade sobre o seu esforço em aumentar o turismo étnico no estado. Mas que diabos é o turista étnico? Aquele que gasta uma grana étnica? Que se hospeda em hotéis étnicos? Serão étnicos os turistas alemães que visitam a Oktoberfest em Blumenau? E os britânicos que, de passagem por São Paulo, visitam
um pub, estão tendo uma experiência étnica?
Ora, turismo étnico é bem fácil de entender: trata-se de qualquer coisa que umas pessoas de qualquer lugar faziam porque achavam legal, e não tinham nada melhor para fazer naquele dia, e porque acontecia de essas pessoas serem pobres (e em geral, no Brasil, pelo menos, pretas, pardas, ou vermelhinhas), virou sinônimo de “sua cultura” (numa clara suposição de que não importava o que poderiam ler, as músicas que poderiam ouvir, as novelas, as compras, etc. afinal, pobre não faz essas coisas). Daí, uns planejadores públicos tiveram a genial idéia de que essas pessoas ficariam muito melhor (embora continuem curiosamente pobres) se elas tivessem que passar o resto da vida (e também os seus descendentes) fazendo aquela mesma coisa para mostrar aos turistas e ganhar uns trocados. Assim, por extensão, turista étnico deve ser aquele cara que vai visitar os outros carregando os “sinais distintivos da sua cultura”, ou seja, alemão vem de chapéu de feltro verde, negro vem de drealock, espanholas com saião e flor no cabelo…
Comment por Lu — Agosto 30, 2008 @ 4:08 pm