“Vixe Maria! Ele veio de preto!” Essa frase dita pela vereadora Olívia Santana, sobre a presença do prefeiturável evangélico Walter Pinheiro em um terreiro de candomblé, teve um impacto arrasador na reputação do deputado. A frase foi ouvida por jornalistas e reproduzida pelo principal jornal local. Em plena campanha, aparecer em um terreiro vestido de preto é coisa de amador. Quem leu a matéria no A TARDE ONLINE, sem ver as fotos, imaginou que o petista estava querendo fazer uma provocação gratuita aos adeptos do candomblé. Todos os políticos sabem que roupas pretas não são apropriadas para um terreiro. Mas a foto publicada em A TARDE tirava qualquer dúvida. A camisa era azul, em listras claras e escuras, mas azul. E a calça era azul marinho. De onde a “aliada” Olívia Santana, que queria ser a vice na chapa com Pinheiro, tirou o preto?
Julho 28, 2008
Julho 26, 2008
A tragédia de Madeleine e a do jornal dos Simões
O espaço mais importante da página de Opinião do jornal A TARDE na sexta-feira, 25 de julho, foi dedicado às investigações do caso Madeleine, a menininha inglesa que desapareceu aos três anos, em maio de 2007. O texto rende-se ao espírito Big Brother que permeia a sociedade e aborda em minúcias o inquérito policial do caso, afirmando que “quatro dias após o arquivamento pelo Ministério Público de Portugal…ainda permaneçam dúvidas básicas e que, infelizmente (sic), não isentem a direta responsabilidade de seus pais, Kate e Gerry McCann, do caso”.
Desde essas bandas do Atlântico, o periódico soteropolitano aponta o dedo em riste para criticar a “incapacidade das autoridades policiais portuguesas” em comprovar uma das hipóteses dadas para o sumiço de Madeleine: rapto para exploração sexual ou para adoção, tráfico de órgãos, homicídio doloso ou culposo, por parte dos pais, com posterior ocultação de cadáver. O artigo se dá o direito, inclusive, de admitir que “nós” os ocidentais, isso inclui ingleses e baianos, temos o hábito de deixar os filhos pequenos dormindo e sair para jantar, circunstância em que Maddie, como é tratada pelo articulista, teria desaparecido.
O texto é encerrado com a conclamação a que se reverencie a memória da menina, dando como certo a sua morte, e a punição aos culpados. Bravo! Se A TARDE fosse publicado em solo europeu, certamente as autoridades portuguesas se sentiriam compelidas a reabrir as investigações, depois de uma cobrança tão incisiva e bem fundamentada.
O problema é que em Salvador, onde o jornal casualmente é publicado, assassinatos que transponham o limite do drama familiar e se caracterizem efetivamente como de interesse público não costumam ser acompanhados com esmero proporcional pelo jornal A TARDE, ao menos em espaços opinativos. A página 3 do periódico, que sexta-feira ocupou-se de Maddie , costuma esquivar-se da tarefa de cobrar das autoridades locais apurações mais efetivas sobre crimes de maior apelo para o público que paga R$ 1,75 pelo jornal, como o assassinato de Neylton Silveira, o servidor público encontrado morto, quatro meses antes de Maddie, nas dependências da Secretaria Municipal de Saúde. A não ser que, no Caso Neylton, A TARDE considere-se satisfeito com a condenação de dois vigilantes.
Julho 22, 2008
Tribuna da Bahia: Jornalismo de participação oficial
A edição desta terça-feira, dia 22 de julho, da Tribuna da Bahia traz uma página sui generis. Amparada por uma reportagem assinada por uma repórter do jornal e cujo título afirma que 119 obras modernizam Salvador, uma enquete traz a opinião de cinco cidadãos que moram, trabalham ou circulam pela Barra sobre as as obras que a Prefeitura Municipal do Salvador está fazendo na Avenida Centenário. As opiniões são, evidentemente, todas favoráveis às intervenções municipais. Mas o que chama a atenção não é a unanimidade obtida pelo poder público e sim os créditos das fotos. Segundo o que declara a própria Tribuna da Bahia, as cinco pessoas ouvidas na enquete foram fotografadas por Hariclê Freitas, da Secretaria Municipal de Comunicação Social da Prefeitura do Salvador. Isso mesmo! O jornal credita as fotos dos cinco soteropolitanos que elogiaram a obra da Prefeitura a um fotógrafo da Prefeitura. Genial! Eu já vi jornais aproveitando fotos oficiais. Mas um órgão público escolher e fotografar as pessoas que participam de uma enquete sobre uma obra desse mesmo órgão é novo. Porque será que a Tribuna usou as fotos da Prefeitura? Como diria Octávio Mangabeira, pense em um absurdo que na Bahia há precedente.
Julho 21, 2008
Muito cosmopolita
Os últimos acontecimentos provam a tese de A TARDE sobre a modernidade soteropolitana. Na sexta-feira, dia em que o site do jornal fazia uma chamada para uma matéria da Muito sobre a noite cosmopolita de Salvador, mais de vinte meninos invadiram um ônibus no Cabula e saquearam os passageiros. Fosse em uma cidade provinciana como o Rio de Janeiro, isso seria rotulado de arrastão. Mas como estamos em uma cidade tão progressista e internacional, devemos reconhecer que se trata de um mob, aquelas reuniões agendadas virtualmente por pessoas que não se conhecem e acabam por se agregar com um determinado objetivo. Ou sem objetivo mesmo. É um hype em Nova York, London, Santiago do Chile e, (por quê não?), no Cabula. Como diria o anúncio de um construtora, podia ser em Paris, Tokyo, Barcelona, mas é em Salvador. Agora, domingo à noite, estava tentando levar uma amiga de fora para um café em algum lugar cosmopolita da nossa cidade, mas aqui pelo centro está tudo fechado. O que terá ocorrido? Talvez haja algum serial killer de Ohio disfarçado de traficante e promovendo chacinas em Salvador. O que forçou, momentaneamente, nossos pubs a fechar as portas.
Hamanda sobreviveu. Agora deixem Hamanda em paz
Poucos dias depois de emocionar o País ao sobreviver em um acidente automobilístico que matou a sua família, Hamanda, de nove anos, aparece no Fantástico. O momento que deveria ser de recolhimento pela perda de parentes é uma arma baixa na guerra pela audiência nas noites de domingo. Ao mesmto tempo em que a menina aparece na TV, declarações suas são estampadas na página inicial do G1: Menina que sobreviveu a acidente quer ser juíza e modelo, grita a Globo. Que bonitinha! Que ótima atração para a TV. A menina que sofre quer ser juíza e modelo. Como se isso fosse o mais importante na vida de uma criança que acaba de perder os parentes. Há muito tempo a Globo e as suas concorrentes passaram dos limites. Mas não há grandes problemas que os idiotas com mais de 18 anos aceitem que as suas vidas sejam guiadas pela audiência televisiva. Difícil de engolir é que uma criança, órfã, não tenha quem a proteja dos urubus.
Julho 20, 2008
Só se vê na Bahia…
Texto publicado no dia 20 de julho de 2008 às 17h51 no site IBahia, da Rede Bahia:
“A Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) informa que o trânsito está congestionado nas imediações do bairro do Politeama. De acordo com o órgão, devido a um evento realizado na região, vários carros estão estacionados de forma irregular (sic), complicando o tráfego.
Segundo a SET, o congestionamento atinge a rua Forte de São Pedro e parte da Avenida Sete – trecho da Casa d’Itália.
Até o início desta noite, o órgão registrou quatro acidentes com vítimas de ferimentos leves em Salvador e Região”
Pergunta 1: que evento terá sido?
Pergunta 2: você se lembra de mim?…