Festival de besteira que assola a mídia

Maio 24, 2008

Doe sua calculadora velha a A TARDE

Arquivado em: Manchetes — Gilson Jorge @ 5:43 pm

Lendo coisas na internet, me deparei com a matéria no site de A TARDE, anunciando que houve um aumento de 240% no registro de empresas em Salvador! Uau, um crescimento de dar inveja à China, à Índia e à Rússia, nossos parceiros do Bric. Brinque com Salvador! Imaginei a cidade disputando a criação de empregos com Miami, Barcelona e Buenos Aires, como disse o prefeito. Mas antes que o ufanismo se apoderasse de mim, fui checar os números.
Um momento! Se no primeiro semestre de 2007 houve 804 pedidos de abertura de empresa, e entre janeiro março deste ano foram 1.959, com diz o texto, o aumento não foi de 240%…
Simples, um aumento de 100% elevaria o número de empresas abertas para 1.608. Ou seja, 100% a mais significa o dobro, correto? As outras 351 empresas a mais que completariam 1.959 seriam 40% de acréscimo, logo o dobro + 40%, 140%! Animados com os cálculos, minha patroa e eu perdemos alguns minutos de sono tentando resgatar a regra de três à caneta, tarefa dura, admito, até que nos dobramos à modernidade da calculadora. Quase todo celular tem uma. Fomos dormir, convencidos pela matemática e certos de que o site corrigiria o erro no dia seguinte. Erro de cálculo. Os 240% estavam firmes e fortes na manchete da edição impressa, em todas as bancas. Daí, o Febeami, solidário que é, resolveu lançar a campanha: doe a sua calculadora velha a A TARDE.

Maio 21, 2008

Fadul, o cãozinho, está inconsolável

Arquivado em: Uncategorized — Gilson Jorge @ 10:46 pm

A edição desta quarta-feira, 21 de maio, do Correio da Bahia tem um primor de matéria. Na página 6 do caderno Aqui Salvador, os leitores são informados de que há um ser sofrendo terrivelmente a perda de Zélia Gattai. É Fadul, o cachorro da raça pug que mora com a Família Amado há onze anos e que, de acordo com o texto, não sabe o que vai fazer da vida.
A matéria começa assim: “o cãozinho Fadul anda triste pelos cantos. O cheiro impregnado em um par de chinelos é o seu único consolo ultimamente. Dorme e acorda sobre os calçados que Zélia Gattai usava no seu apartamento, no Horto Florestal. Os próprios empregados confirmam que o animal tem sofrido bastante com a ausência da escritora. Em quase 11 anos de convivência, desde a casa do Rio Vermelho, os dois se apegaram como mãe e filho.”.
Entede-se, após a leitura do periódico, que durante os trinta dias em que a escritora esteve internada Fadul estava lépido e faceiro. Tanto que não convocou nenhuma coletiva para expressar a sua dor. Mas bastou o anúncio do óbito de Zélia para que o Correio enxergasse quanto sofrimento aquele pobre canino podia suportar.
Aliás, segundo a matéria, a Família Amado foi informada do agravamento do estado de saúde da escritora não através dos boletins emitidos pelos médicos do Hospital Aliança. E sim pela expressão de dor de Fadul. “Foi impressionante. Na sexta-feira ele não parava de chorar. Nós sabíamos que algo de ruim estava para acontecer”, testemunhou a arrumadeira da casa.
Comovido com a solidariedade da imprensa, Fadul chorou e pediu aos jornalistas que guardassem um exemplar daquela edição para ele. O cãozinho sabia que aqueles papéis lhe seriam muito úteis.

Maio 20, 2008

Kaká pertence mesmo é a Berlusconi

Arquivado em: esportes — Gilson Jorge @ 12:11 am

O maior jogador do mundo em 2007 costuma ser pintado pela imprensa brasileira como um bom moço, o rapaz exemplar, o menino bonito e religioso, que faz tudo certinho e que vai para o céu, assim que o juiz apitar o fim do segundo tempo. Pois bem. Kaká pode ser isso tudo mesmo o que falam dele. Mas não entendo porque ficamos tão ressentidos quando o jovem dourado se recusa a vestir a camisa nacional.
Para mim, é uma questão muito simples e, já que falamos de uma pessoa religiosa, invoco o livre-arbítrio. O cara não quer ir à Olimpíada e fim de papo. É feio ficar rastejando para que o menino peça liberação ao Milan e vá defender o Brasil. Para ele, ao que parece, isso não é importante. Mas como é só uma competição esportiva e não está em jogo a defesa da honra de ninguém, deve-se respeitar a vontade do jogador.
Acho que ele é um cara equivocado. Não gosto quando ele exibe camisetas em inglês dizendo que pertence a Jesus. Na verdade, ele pertence é a Sílvio Berlusconi, o presidente do Milan que paga os salários dele e obriga, por força de contrato, o jovem da Renascer a usar um uniforme patrocinado pela Bwin, uma casa de jogos online, o que não é uma atividade exatamente religiosa. Mas isso é problema de Kaká, da religião dele e de Berlusconi.
A questão é que os jogadores brasileiros, em geral, têm um apego bem menor do que os argentinos aos chamados valores nacionais. Kaká, os Ronaldos e outros têm, aparentemente, uma identificação muito frágil com o Brasil. Independente de isso ser bom ou ruim. Normalmente, os jogadores argentinos que jogam na Europa, no que depende deles, vêm correndo para a América Latina disputar um amistoso contra a Venezuela, se são convocados.
Para Kaká, a Olimpíada não é tão importante. Amém. Que o Brasil jogue com quem quer jogar e tenha a classificação que for possível. É só um torneio de futebol. Ninguém vai para o céu ou para o inferno se deixar de participar.

Maio 19, 2008

Lá na Bahia, sem sotaque nordestino

Arquivado em: Uncategorized — Gilson Jorge @ 10:48 pm

O A TARDE online publicou um texto da Agência Estado sobre um assalto ocorrido em Salvador. Até aí, nada demais fora o fato de que o grupo A TARDE já tinha produzido material próprio sobre o assunto. O curioso é que quem acessa o site do jornal pela primeira vez, e dá de cara com o título da matéria, tem a impressão de que trata-se de uma publicação de Santa Catarina ou Roraima.
Diz o título que “Quadrilha assalta joalheria dentro de shopping na Bahia”. A Bahia, aquele estado longínquo, do qual A TARDE conhece muito pouco…Mas o melhor de tudo é ler no corpo da matéria que os assaltantes não tinham sotaque nordestino. O leitor baiano, que há pouco foi acusado de ter QI baixo, agora tem que ler nos jornais locais matérias produzidas por São Paulo sobre o seu sotaque nordestino. Só faltou dizer que os assaltantes não eram remanescentes do bando de Lampião…

Maio 6, 2008

Samba de uma nota (e um neurônio) só

Arquivado em: Regionalismo — Gilson Jorge @ 7:52 pm

Acabo de criar este blog, dentre outras duas dezenas que fiz. Estava justamente pensando  no texto  que escreveria para inaugurar este modesto veículo, claramente inspirado em Sérgio Porto,  criador do Festival de Besteira que Assola o País e  do Samba do Crioulo Doido, que hoje em dia, em tempos politicamente corretos, deveria se chamar, Samba do Afro-descendente com leves desatinos.

E eis que chega à minha caixa de e-mail um texto assinado por uma senhora de Curitiba, tratando do episódio do QI baiano e do berimbau, tema que eu julgava  morto e enterrado, após a renúncia  do  professor Antonio Natalino Dantas, que ao justificar o mau desempenho da Faculdade de Medicina da Ufba no Enade, o antigo provão, falou mais do que a nega do leite.

O e-mail assinado, em momento providencial,  pela acadêmica paranaense é a prova cabal e irrefutável de que a imbecilidade não é uma exclusividade baiana, como deseja o umbigo provinciano do professor Dantas.  Conclusão que tive, aliás, ao me dar conta de que a Choppada de Medicina é um fenômeno nacional e que, pelo menos para fazer dinheiro, os estudantes baianos de medicina têm uma capacidade extraordinária.

No e-mail, a criatura côxa-branca diz, entre outras coisas,  que “o problema está no complexo de inferioridade dos baianos”, e que o episódio vem  “mostrar mais uma vez a pouca capacidade de raciocínio dos baianos”. Não vou aqui nem discutir de onde saem as duplas sertanejas, o créu, e outras maravilhas que tanto orgulham a seleta audiência do Sudeste e do Sul do País.

Por enquanto, me contento com a deliciosa comprovação de que no Paraná também há idiotas.

Blog no WordPress.com.